Apesar da queda nos principais mercados do mundo nesta segunda-feira (18/8), o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa/B3) surfou na direção contrária à maré negativa e emplacou a primeira alta da semana, de 0,72%, aos 137.321 pontos. O otimismo de investidores é reflexo de projeções mais animadoras para a economia brasileira em 2025, principalmente após a divulgação do Boletim Focus, pela manhã.
O relatório, publicado pelo Banco Central, reduziu em 0,1% a estimativa para a inflação em 2025, em apenas uma semana. Enquanto na publicação anterior a projeção era de uma elevação de 5,05%, o boletim desta semana traz a previsão de um resultado de 4,95% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no comparativo anual.
Para o analista da Ouro Preto Investimentos Sidney Lima, o movimento reflete a combinação de câmbio mais estável e menor pressão de atacado, confirmando a 12ª revisão consecutiva para baixo da expectativa para o IPCA. “Além disso, as projeções para o PIB foram mantidas em neste ano, com Selic em 15% ao fim de 2025, sinalizando que, embora a atividade mostre sinais de enfraquecimento, há espaço para expectativas mais benignas sobre preços”, destaca.
Já o especialista em mercado financeiro e sócio da G2W Invest Ciro de Avelar, acredita que o mercado já vê os dados do Boletim Focus como positivos. O que ainda deve seguir no radar é a forma com que o governo brasileiro vai lidar com a pressão na atividade econômica que foi freada pelo tarifaço. Ele ressalta que, com os incentivos fiscais, a dívida do país deve aumentar, o que traz um nível a mais incerteza para o mercado brasileiro.
“Essa baixa também da inflação é puxada por essa baixa do dólar, que teve desde o tarifaço. E a gente entende que vai continuar essa volatilidade, principalmente por causa das incertezas da política econômica norte-americana e das incertezas da política fiscal brasileira”, considera Avelar. Por outro lado, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) recuou 0,1%, mas abaixo das expectativas do mercado. O dado é considerado por economistas como a “prévia do PIB”.
Enquanto a bolsa brasileira se saiu bem nesta segunda-feira, não é possível afirmar o mesmo dos índices norte-americanos e europeus. Nos EUA, o Dow Jones e o S&P 500 apresentaram leve recuo de 0,08% e 0,01%, enquanto que o Nasdaq ficou praticamente estável, com ligeiro avanço de 0,03%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 600 fechou praticamente estável, com 0,01% de alta, enquanto que as bolsas de Paris (-0,5%) e Frankfurt (-0,18%) tiveram resultados negativos ao final do pregão.
O dólar comercial encerrou o dia em queda de 0,68%, cotado a R$ 5,43. A valorização da moeda norte-americana ante o real vai na mesma direção que a maioria dos outros países. O Índice DXY, que mede a força da divisa mundo afora, subiu 0,27%.
O dia também foi marcado pelo encontro de líderes europeus com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na agenda do republicano, houve um encontro com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para tratar sobre a guerra no leste europeu, o que causou um movimento de espera dos mercados sobre o resultado da reunião, que ao final não surtiu efeitos mais imediatos.
Para o analista de investimentos Felipe Sant’Anna, as bolsas ficaram “murchas” no primeiro dia da semana, pela expectativa que havia no mercado por uma negociação melhor, que envolvesse alguma proposta mais concreta de ambos os lados. O especialista ainda destaca que os investidores aguardam uma possível sinalização do presidente do Federal Reserve (Fed) – o banco central dos EUA –, Jerome Powell, a respeito da taxa de juros no país, que segue entre 4,25% e 4,5% ao ano, mas com perspectiva de corte já para a reunião de setembro.
Fonte: correiobraziliense