As taxas prefixadas voltam a disparar no Tesouro Direto. O Tesouro Prefixado com vencimento em 2032 abriu o dia em 14,30%, mas já sobe mais na manhã desta sexta-feira (27): 14,38%, no maior nível desde abril de 2025.
O patamar supera o visto na semana passada, quando o Tesouro realizou a maior intervenção da história, recomprando quase R$ 50 bilhões em papéis prefixados e atrelados à inflação. Na ocasião, o prefixado 2032 alcançou 14,25%.
Os juros dos títulos indexados à inflação, o Tesouro IPCA+, também sobem nesta sexta-feira. O Tesouro IPCA+ 2032 sobe para 7,91% e se aproxima dos 8% ao ano.
Já o juro real (acima da inflação) do Tesouro IPCA+ 2050, o título do gênero com vencimento mais longo, passou de novo da marca psicológica dos 7%. O título alcançou uma taxa de 7,13% na manhã de hoje e igualou o maior nível deste ano. Esse patamar é o mais elevado desde outubro de 2025.
A subida das taxas reflete uma onda de vendas de papéis de renda fixa em meio ao nervosismo do mercado. Na semana passada, quando as taxas atingiram esses níveis o Tesouro Direto acionou três vezes em um dia o “circuit breaker“, mecanismo que pausa as negociações para evitar uma disparada dos juros devido ao nervosismo do mercado.
O impulso desta sexta-feira é, novamente, duplo: o petróleo volta a subir e se aproxima da marca de US$ 110 o barril; ao mesmo tempo o IPCA-15 da primeira quinzena de março subiu 0,44% bem acima do consenso do mercado, de 0,29%, o que deflagrou revisões generalizadas do mercado sobre as expectativas de inflação em 2026.
Ainda que seja visto como uma prévia do IPCA do mês, o indicador não reflete todo o impacto das altas de preços de combustíveis, de fertilizantes e de outros produtos ocorridas por conta da Guerra no Irã.
A principal preocupação dos investidores se refere ao efeito dos preços da gasolina e diesel, que não foram capturados no índice parcial e devem pesar ainda mais sobre o IPCA “cheio”.
“Olhando à frente, o quadro inflacionário teve piora considerável”, afirma o economista do ASA, Leonardo Costa. A gestora já projeta um IPCA de 4,6% no fim de 2026. É um nível já acima do teto da banda da meta de inflação do Banco Central, que tem uma faixa de tolerância de 1,5% a 4,5%.
A alta do petróleo vem na esteira de sinais ambíguos de EUA e Irã sobre eventuais negociações para um cessar-fogo. O presidente americano Donald Trump afirma que o país islâmico tem “pressa” e está “ansioso” para obter um acordo.
O governo americano também tem intensificado o envio de tropas ao Oriente Médio. Militares de alto escalão nos Estados Unidos têm dito que uma invasão terrestre pode estar a caminho. Se um ataque desse tipo ocorre pode representar uma virada na estratégia e, provavelmente, uma indicação de que o conflito não vai terminar tão cedo.
O Irã, no entanto, recusou a proposta de 15 pontos entregue pelos EUA e afirmou que não tem interesse em negociar diretamente com os inimigos. O Estreito de Ormuz segue fechado e mantém pressão sobre os preços de commodities que usam a rota estratégica marítima.
Intervenção evitou deterioração do mercado
No Tesouro Direto, taxas mais altas significam que o valor dos papéis está em queda. Com isso, o investidor que tem esses títulos na carteira enxerga seu saldo em reais diminuindo.
Essa percepção de prejuízo pode levar os investidores a se desfazer dos papéis temendo novas perdas. Mas é sempre bom lembrar que o prejuízo só ocorre se o detentor efetivamente vender o título nas condições de mercado mais adversas.
O Tesouro Nacional realizou a intervenção da semana passada principalmente para oferecer uma porta de saída para aos fundos de renda fixa e outros agentes de mercado venderem seus ativos. O risco era de que a disfuncionalidade levasse a uma venda desordenada de títulos com impactos muito adversos nos preços.
Esse efeito ocorre porque os fundos precisam vender os papéis para honrar resgates. Além disso, vários portfólios atingiram na ocasião o limite máximo de perdas, o que deflagrou a onda de vendas para evitar mais prejuízos potenciais. Mas, com o mercado em pânico, os títulos precisam ser repassados com descontos cada vez maiores, o que retroalimenta o movimento de perdas.
Em momento de alta volatilidade, que atinge de maneira mais acentuada os títulos com prazos mais longos, o melhor a fazer é evitar entrar em ondas de vendas.
A oscilação acentuada de taxas e preços é o efeito da marcação a mercado, ou seja, da variação dos preços do ativo conforme as condições do momento.
Quem levar o título até o vencimento vai receber exatamente o que foi contratado quando o adquiriu. Por isso, nos momentos de maior elevação de taxas, há uma oportunidade de “travar” retornos altos por vários anos.
Fonte: investnews