Governos agora investigam se ‘efeito Ozempic’ se estende em estímulo ao mercado de trabalho

O novo governo da Dinamarca, país de origem da Novo Nordisk, do Ozempic, vai investigar se os medicamentos para perda de peso podem ajudar mais pessoas a entrarem no mercado de trabalho, adicionando uma nova dimensão econômica ao debate sobre os tratamentos para a obesidade.

A Novo, fabricante do Wegovy e do Ozempic, já transformou a economia dinamarquesa, com impulso a um crescimento significativo nos últimos anos, mesmo diante da concorrência crescente enfrentada pela gigante farmacêutica, como pela americana Eli Lilly.

O país nórdico agora investiga se os remédios também podem gerar benefícios econômicos ao aumentar a produtividade.

Em seu programa de governo divulgado nesta semana, a nova administração do país propôs um projeto-piloto para pessoas com obesidade grave, a fim de avaliar como medicamentos como o Wegovy afetam a economia além dos resultados de saúde, incluindo seu impacto na oferta de trabalho.

Não foram detalhadas as características do programa. A ideia reflete um interesse crescente entre formuladores de políticas públicas sobre os efeitos econômicos mais amplos dos tratamentos contra a obesidade, para além de efeitos mais evidentes no consumo de alimentos.

Estudo do ‘efeito Ozempic’ no Reino Unido

O governo britânico, no final de 2024, firmou parceria com a Eli Lilly para um ensaio de cinco anos destinado a analisar se os medicamentos para perda de peso podem ajudar mais pessoas a retornarem ao trabalho e aliviar a pressão sobre o sistema público de saúde.

Uma pesquisa apresentada no ano passado estimou que o princípio ativo por trás do Wegovy e do Ozempic da Novo poderia gerar mais de 4,5 bilhões de libras (6 bilhões de dólares) em ganhos anuais de produtividade no Reino Unido, segundo o jornal The Guardian.

A análise de 2.660 participantes com três ensaios clínicos concluiu que o medicamento adiciona o equivalente a cinco dias de trabalho e 12 dias de trabalho não remunerado por paciente a cada ano.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que conquistou um terceiro mandato nesta semana, já declarou ser uma “grande fã” do Ozempic e do Wegovy, demonstrando apoio à empresa farmacêutica.

Frederiksen firmou um acordo de coalizão na segunda-feira (1), quase dez semanas após a eleição geral, reunindo Social-Democratas, Esquerda Verde, Liberais Sociais e Moderados em um governo minoritário apoiado por partidos de esquerda.

A Dinamarca foi um dos primeiros países onde a Novo lançou o Wegovy, no final de 2022, e quase 5% da população já utilizou o medicamento desde então, de acordo com dados do governo.

Cerca de 8% dos dinamarqueses preenchem os critérios para o tratamento, segundo uma análise divulgada no ano passado.

A crescente popularidade dos medicamentos para obesidade da Novo também pressionou as finanças públicas, levando a Dinamarca a reduzir os subsídios para o Ozempic em 2024 e a rejeitar os pedidos da empresa para reembolso público do Wegovy.

É um mercado crescente que começa a ganhar ainda mais força em países em que a patente expirou, o que leva à venda de medicamentos genéricos, caso recente do Brasil.

Fonte: investnews